quarta-feira, novembro 15, 2006

Coisas do mundo

Dia destes, assisti à exibição de Paulinho da Viola.
Mais uma vez, uma estranha impressão me tomou: sempre que vejo Paulinho da Viola, lembro de Ademir da Guia.
Pensei algum tempo sobre isso.
A primeira aproximação entre eles, creio, deve ser o tipo físico. Ademir parece tanto um jogador quanto Paulinho um sambista. Olhando-os, tenho a impressão de que passariam incógnitos num banco, escritório ou bar.
Há neles timidez, recato, discrição. A grandeza de suas obras não corresponde à imagem do autor.
Conseqüências não faltam, e talvez a maior delas seja o nosso inconsciente esquecimento.
Nas discussões sobre essas belas artes, a música e o futebol, rareiam as citações de seus nomes; sempre são gastos tempo e saliva com as estrelas - aqueles que tem a imagem à altura de suas realizações, ou, por vezes, muito acima.
Parece-me que o fato de Paulinho e Ademir não valorizarem seus feitos (não nos lembrarem a todo momento) lhes dá o estatuto de gênios desconhecidos.
A postura alheia à obra nos força ao esquecimento de que esses homens honraram sua linhagem (César Farias e Domingos da Guia) e de que há um lugar que lhes é devido: a Paulinho, por ter feito Sinal Fechado e Para um amor no Recife; a Ademir, por ser um dos três únicos brasileiros(os outros seriam Pelé e Zico) considerados, sem discussão, como o maior jogador da história de seu clube.
É preciso lembrar. Sempre.